logo copy.png

Frustrações: armadilhas ou oportunidades?
Por Maria do Carmo S. Ferreira - Psicologia Vila Andrade - 23/07/2018

No dia-a-dia podemos constatar que os estressores externos são muitos, às vezes inevitáveis, e a eles somam-se as crenças irracionais. A vida das pessoas não acontece da forma como elas preferem, pois bloqueios e inconveniências existem. As pessoas criam uma espécie de "controle virtual", ou seja, uma falsa sensação de poder controlar o mundo, a vida, as pessoas e as contingências, para que assim possam manter seu "espaço vital e de segurança" protegido.

23735008-woman-looking-at-piggybank-raised-by-young-man.jpg

Esse espaço vital é o próprio contexto em que a pessoa vive, sua família, trabalho, cidade, casa, amigos entre outros, que podem ser "controlados" por serem conhecidos e previsíveis. Mas quando os eventos inevitáveis acontecem bloqueiam os desejos e deveres absolutistas, as pessoas se perturbam cognitivamente pois se deparam com a frustração.

 

Os fatores internos entre eles o modo como pensamos sobre as situações, a vida, o mundo e as pessoas podem gerar e até piorar o nosso estado de stress. Os pensamentos controlam as emoções, então constantemente sem perceber a pessoa se instrui e se treina nessas cognições distorcidas, gerando uma percepção depreciativa e negativa de si mesma.

 

No entanto, você pode optar por mudar a sua maneira de pensar, sentir e agir se fizer com persistência e esforço criando assim novas possibilidades e oportunidades de aprendizagem, e concomitantemente melhora na qualidade de vida.

Evite supergeneralizar

Por Maria do Carmo S. Ferreira - Psicologia Vila Andrade - 24/06/2018

 

Otimista-ou-pessimista-Qual-é-a-sua-postura-Clube-das-Comadres.jpg

Na maioria das vezes podemos escolher como queremos nos sentir. É muito comum e frequente as pessoas generalizarem e, igualmente, supergeneralizarem. Se você não conseguiu um emprego, você pode concluir que: "Não há vaga para mim na maioria dos empregos que eu quero, talvez seja melhor procurar por outros, quem sabe eu até possa escolher um que seja razoável". Ótimo! Esta é uma generalização sensata que o ajudará. 

 

Mas numa situação como esta é comum as pessoas dizerem: "Já que não consigo obter o emprego que quero, nunca terei um bom emprego”; “nenhuma vaga boa está disponível para mim”; “é melhor eu desistir de procurar emprego”. Essa forma de pensamento pode levar a pessoa concluir que a dificuldade de encontrar um novo emprego esteja relacionada com traços de personalidade pela forma pessimista como se posiciona.

Mas como transformar um pessimista em otimista? Trabalhando as crenças limitantes e possibilitando olhar por outro prisma. Otimismo é reagir às adversidades partindo do pressuposto de que você tem poder, pois o fato de ter fracassado algumas vezes não significa que você vá fracassar sempre. 

 

As supergeneralizações são ilógicas e limitantes e podem criar dificuldades nos momentos mais importantes da vida de uma pessoa que não aprendeu a lidar com as adversidades. Quando alguém se posiciona na vida de maneira otimista não se vê como vítima, mas com autor da própria história e isola eventos negativos em vez de generalizá-los.

 

Se você enfrenta dificuldades em acreditar na sua capacidade para superar obstáculos, que o impedem de aumentar os seus repertórios pessoais e ações para elevar a criatividade e flexibilidade, busque ajuda para elevar a sua performance.

Aprendendo a se estressar na infância
Por Maria do Carmo S. Ferreira - Psicologia Vila Andrade - 28/05/2018

IMG_8379.JPG

Na atualidade é muito comum encontrar crianças sofrendo com elevados níveis de stress, nem sempre valorizado pelos adultos.

 

E como se formam na infância as fontes de stress, ou seja, os pensamentos, as ideias, as atitudes, a maneira de perceber a si mesmo e ao mundo que o cerca? É na infância que se dá a origem a comportamentos adequados ou não frente a situações do dia-a-dia. Quanto temos um quadro de práticas parentais inadequadas, estas podem acarretar o stress infantil.

 

E com ocorrem as fontes internas de stress? O stress não surge sozinho, algumas vezes as fontes de stress e os estressores, podem ser eventos que ocorrem na vida da criança e que ultrapassam a sua capacidade de adaptação.

 

Em outras vezes, não se identificam as fontes internas do stress que podem se referir também à características de personalidade, pensamentos e atitudes das crianças, ante várias situações que ela precisa enfrentar em sua vida.

Assim sendo, o stress pode ser criado por ela própria, de acordo com a sua maneira de perceber o mundo ao seu redor. E como se formam as fontes internas? Os pais de uma forma quase geral alimentam desejos em relação aos filhos, que estes sejam bem-educados, disciplinados, obedientes, ordeiros e que tenha respeito pelos outros. No entanto, as crianças não nascem aptas a agir nas diferentes situações, desse modo cabe aos pais a educação dos filhos. Para educá-los é necessário fazer o que chamamos de "socialização" que nada mais é do que ensinar as crianças a viver bem na sociedade com comportamentos aceitáveis social e culturalmente.

 

Mas por que é cada vez mais comum as crianças adoecerem? Nossa sociedade está passando por transformações profundas e dolorosas, as crianças estão expostas a tudo. Como ainda não possuem maturidade psicológica para acompanhar o que acontece no dia-a-dia, acabam retendo em si conteúdos bastante ameaçadores como a violência de uma forma geral e separação dos pais em idade precoce.

 

As instituições, principalmente as escolas, passaram a desenvolver papeis muito importantes no acolhimento das crianças logo nos primeiros meses de vida, contudo estas não substituem o papel da família. Famílias que por sua vez, devido às exigências do mundo moderno, nem sempre conseguem suprir as necessidades afetivas das crianças, e nem sempre a criança consegue assimilar e acomodar de forma tranquila a ausência dos pais nos primeiros anos de vida.

 

Esta situação pode instalar na criança pensamentos e sentimentos pelas ameaças de perdas, medo do abandono, medo da separação dos pais quando presencia discussões, medo da violência tão presente no dia-a-dia, são inúmeros agentes externos que contribuem para o desenvolvimento do stress na infância.

 

Daí a importância de buscar ajuda profissional aos primeiros sinais de adoecimento da criança como: crises de choro sem motivo aparente, esquiva para ir à escola, muito calada, muito ansiosa, dor de barriga, vômitos, diarreia entre outros. O acompanhamento por profissional especializado o ajudará a enfrentar as dificuldades e estabilizar o estado emocional da criança. 

O brincar como ferramenta de transformação e solução de conflitos

Por Maria do Carmo S. Ferreira - Psicologia Vila Andrade -30/03/2018

criancas-bricando-mundo-2.jpg

Ludoterapia este é o nome da psicoterapia para criança, pois utiliza de atividades lúdicas como: desenhos, histórias, colagens, pinturas e jogos de acordo com a idade da criança criando um ambiente no qual ela sinta-se confortável. É neste ambiente que o psicólogo passa a conhecer melhor a crianças e seus pensamentos, sentimentos e os comportamentos que podem estar causando disfuncionalidade no dia-a-dia da criança e nas diversas áreas de sua vida.

 

Dependendo da necessidade poderá haver indicação da terapia familiar ou orientação de pais, para melhor compreender a dinâmica familiar e promover reestruturação no ambiente. A ludoterapia é indicada para crianças com idades entre três e doze anos, sempre que essa criança apresentar comportamentos que possam estar disfuncionais, ou seja incompatíveis com a faixa etária. Ou ainda em situações de desemparo que levem a criança a sofrimento psicológico.

 

As queixas mais frequentes em relação às crianças são: instabilidade emocional, ansiedade, timidez, interpretações amedrontadoras, medo do fracasso, medo de ser ridicularizada por amigos, bullying, depressão infantil, medo de os pais se separarem quando estes presenciam brigas, medo dos pais morrem e ela ficar só, agressividade, dificuldades para aceitar limites ou regras, enurese noturna, baixo rendimento escolar, anorexia entre outros.

 

A importância do brincar, a criança precisa muito mais do que imaginamos para ser mais feliz, principalmente amor, família (mesmo que seja aquele que acolhe), respeito, educação e saúde, no entanto por vezes esquecemos de incluir o brincar. Segundo a Declaração Universal do Direitos da Criança, deve ser dado às crianças a oportunidade de contato com o mundo a sua volta. Ela deve ser livre para brincar e para descobrir, brincar ajuda a criança ser mais imaginativa, desenvolver capacidades, lidar com a frustração e gerenciar o stress.

 

O objetivo principal da ludoterapia é o contato com o mundo interno da criança, permitindo compreender a sua linguagem simbólica, quando a criança tem dificuldades para expressar verbalmente, o brincar é utilizado como único recurso que lhes permite sentir segurança para expressar coisas difíceis de explicar ou verbalizar, como por exemplo abuso sexual, maus tratos, medos, angústias, dúvidas. Os brinquedos (objetos físicos e reais) são utilizados como ferramentas para expressar o que a criança pensa ou sente em determinado momento ou sob uma situação específica. É por meio do brincar que a criança expressa suas emoções como raiva, a dor, alegria, a tristeza, a felicidade e frustração.

A importância do brincar

 

O brincar sempre esteve presente na vida da criança desde as comunidades mais primitivas, este brincar ocorria quase sempre de forma coletiva e até hoje as crianças se reúnem para brincar das mais diversas formas, sempre que lhes é dada essa oportunidade, e é por meio do brincar que o desenvolvimento acontece.

 

Dessa forma o brincar possui um papel importante na vida da criança, pois contribui também para promover integração, socialização, papéis sociais e valores, no entanto a importância do olhar mais profundo para infância é mais recente, tanto para os estudiosos como para as politicas públicas ao redor do mundo.

 

Hoje é sabido que o brincar pode causar impacto positivo em diversas áreas do desenvolvimento infantil, na saúde física e mental, sociabilidade, desenvolvimento motor, emocionais e aprendizado. Uma das marcas mais importantes para a sociedade foi a Declaração Universal dos Direitos da Criança, feita pelo UNICEF que entre os dez princípios lista o Princípio VII que assegura que a criança deve desfrutar plenamente de jogos e brincadeiras voltado para educação cujo objetivo é o desenvolvimento da criança como um todo.

No território lunar: entendendo o TDAH

Por Maria do Carmo S. Ferreira - Psicologia Vila Andrade -12/03/2018

tdah-deficit-de-atencao-de-quem.jpg

O tema abordado neste artigo ainda é alvo de muitos estudos pois causa muitas dificuldades para os familiares, mas principalmente para os indivíduos que sofrem com TDAH. Não se trata de um diagnóstico fácil por isso pode ser dolorosa a busca pelas respostas que justificam o quadro apresentado. Como descobrir se uma criança, adolescente ou adulto é portador TDAH?

 

É necessário verificar os sintomas que estão presentes no comportamento diário desse indivíduo, é importante destacar que todo TDAH possui um histórico pessoal, personalidade diferente e estilo de vida particular. Daí os problemas podem ser sempre os mesmos, mas sua expressão vai depender de quem é o indivíduo que possui o transtorno que se caracteriza pela combinação de alguns comportamentos: desatenção, hiperatividade e impulsividade.

 

Segundo a Associação Psiquiátrica Americana vamos encontrar nos sintomas de desatenção os seguintes sinais: prestar pouca atenção e cometer erros por falta dela; dificuldades de se concentrar (tanto nas tarefas escolares, quanto em jogos e brincadeiras); parecer estar prestando atenção em outras coisas durante uma conversa; dificuldades de seguir as instruções até o fim ou deixar tarefas e deveres sem terminar; dificuldade de se organizar para fazer ou planejar com antecedência; perder objetos necessários para realizar as tarefas ou atividades do dia-a-dia, entre outros.

Entre os sintomas de hiperatividade e impulsividade que podem ocorrer de maneira mais frequente estão: ficar mexendo as mãos e os pés quando sentado ou mexendo muito na cadeira; dificuldade de permanecer sentado em situações em que isso é esperado (sala de aula, jantar etc); correr ou escalar coisas em situações nas quais isto seria inapropriado (em adolescentes e adultos pode se restringir a um sentir-se inquieto por dentro); dificuldades para se manter em atividades de lazer (jogos e brincadeiras) ou em silêncio; permanecer "elétrico" e a "mil por hora", falar demais; responder perguntas ler até o final, entre outros.

 

E quais seriam as causas do Transtorno de TDAH? Sabe-se que não existe uma causa única, porém existem diversas evidências que foram acumuladas com as descobertas científicas das últimas décadas. Atualmente já é possível saber da contribuição da genética no transtorno, o que não significa que pelo fato de ser genética, que todo o membro daquela família seja do lado paterno ou materno desenvolvam o TDAH, significa apenas que é mais provável que a incidência do problema é bem maior naquela família do que seria esperado matematicamente pelo acaso.

 

Normalmente, quem examina uma criança com TDAH frequentemente reconhece a existência do mesmo transtorno ou pelo menos alguns sintomas dele no pai ou na mãe. Contudo a herança genética parece não ser o único fator determinante para o aparecimento do TDAH, mas é de longe o mais importante. Em torno de 90% do TDAH é devido a genética, porém as pesquisas buscam cada vez mais a compreensão das causas. Alguns fatores são considerados importantes como problemas na hora do parto, uso de cigarro e álcool durante a gestação.

 

O portador de TDAH, devido aos sintomas presente no dia-a-dia, podem apresentar maior incidência no uso de drogas e buscar grupos com os quais possam se identificar. Cabe aos pais, cuidadores e professores observarem comportamento de crianças e adolescentes para que possam auxiliar diante dos conflitos que surgirão e buscar ajuda profissional. 

 

O tratamento na maioria das vezes envolve equipe multidisciplinar. A ludoterapia ou psicoterapia tem como objetivo treino de reabilitação comportamental da atenção, em alguns casos pode haver necessidade de terapia medicamentosa. A psicoterapia vai beneficiar também o portador de TDAH, principalmente quando o indivíduo possui dificuldades para aceitar limites (crianças e adolescentes), respeitar regras ou baixa autoestima (adolescente e adultos). Depressão ou ansiedade importante, ocorrem tanto em adultos quanto crianças e adolescentes que também pode apresentar dificuldades muito significativas de relacionamentos interpessoais, estes mais comuns em adolescentes e adultos.

O início da formação da autoestima

Por Maria do Carmo S. Ferreira - Psicologia Vila Andrade - 02/03/2018

de-maos-dadas-com-a-crianca-por-seguranca-foto-adobestockcom-000000000001742B.jpg

Para aprender a não jogar comida a criança precisa primeiro aprender o sentido do "não", o que não acontece de uma hora para outra, são as reações dos pais que ensinam a criança a distinguir o "sim" do "não". A autoestima é um aspecto que vai se formando na infância. O "sim" e o "não" estabelecem limites para a criança que aprende o que pode e o que não pode fazer. Nunca poder é ruim, mas poder sempre, também não é bom. O "sim" só faz sentido se existir o não. Saber a diferença entre "sim" e "não" dá para a criança o poder de decisão sobre suas escolhas, poder que alimenta a autoestima.

 

No entanto, se a criança é somente criticada ela tende a desenvolver uma autoestima negativa, achar que tudo que faz é feio, que é incapaz ou que todos são melhores que ela e tenderá a sempre verbalizar "eu não consigo", “não sei” e mesmo que saiba e consiga acaba não percebendo sua real capacidade.

Por outro lado, a criança que hora é elogiada ora criticada indistintamente, sem previsibilidade, torna-se vulnerável e sua autoestima acaba se tornando flutuante, pois uma grande insegurança acaba se instalando.

 

Criança feliz sente prazer e é capaz de propiciar prazer a si mesma, ela precisa dizer muitos "nãos" as próprias vontades que não podem ser realizadas, e dizer "sim" ao que tem capacidade de realizar.

 

Felicidade não é fazer tudo o que se tem vontade, mas ficar feliz com o que está fazendo no momento. Muitos pais dão alegria, saciedade, segurança e proteção aos filhos acreditando que assim os tornam felizes. Contudo ninguém dá felicidade a ninguém, se os filhos acreditam que são felizes com o que ganham dos pais estarão confundindo a verdadeira felicidade com a felicidade dependente.

 

E por ser dependente, já não é a verdadeira felicidade. Os filhos dependem primeiro dos pais, futuramente dependerão de outras pessoas, situações ou coisas para serem felizes. A felicidade dependente é uma alegria, um prazer que deixa um vazio interno. A alegria esfuziante e radiante que surge quando se ganha um presente, mas quando alegria seguinte não vem a criança cai numa furiosa birra. Quem tem acessos de birra ou depressão não pode ser feliz.

 

É sabido que as mais variadas dependências como comida, calmantes, trabalho ou drogas demonstram quanto as pessoas sentem mais a saciedade do que a felicidade, pois ficam infelizes quando não conseguem saciar suas dependências.

 

A vitória é a superação dos obstáculos internos, em primeiro lugar. Em segundo lugar vem os obstáculos externos. Ganhar e perder faz parte da vida, e a disciplina encaminha a pessoa para a vitória que chama para si o sucesso nas diversas áreas da vida. A disciplina um dos mais fortes ingredientes de alta performance. Para que tenhamos adultos saudáveis é preciso investir na formação da autoestima das crianças, pois ela será responsável pela maneira como irão se posicionar perante a vida e o mundo que as cerca.

 

Fontes: Quem ama educa (Içami Tiba)
              O stress está dentro de você (Marilda Lipp)

Dor e Stress
Por Maria do Carmo S. Ferreira -
Psicologia Vila Andrade -19/02/2018

 

images-3.jpeg

É sabido que nenhum ser humano atravessa o seu ciclo de vida sem experimentar a sensação provocada pela dor. Não iremos falar da dor da alma, esta também fará parte em algum momento da vida de qualquer pessoa mesmo para aquelas que ainda não sabem discernir a respeito da dor.

 

Aqui incluímos as crianças nas faixas mais precoces de vida. Vamos focar na dor física, uma experiência determinada por uma confluência de fatores causais, precipitantes e desencadeantes apresentando ao mesmo tempo várias dimensões: sensorial; afetiva; cognitiva; comportamental; discriminativa; interpretativa; social; motivacional entre outras. É portanto uma experiência multidimensional, produzida por padrões característicos de impulsos nervosos gerados em uma rede neuronal largamente distribuída pelo cérebro conhecida como neuromatriz (MELZACK,1999). Após uma lesão ou doença, a dor é o resultado de uma descarga neural cerebral.

 

Por lesão entende-se trauma, inflamação ou qualquer patologia, podendo influenciar a interpretação cognitiva da situação com a percepção visual da lesão levando a alterações emocionais. Quando um paciente nos traz queixa de dor e diferentes emoções, na maioria das vezes fica visível não somente o sofrimento relacionado a dor, mas também à incapacidade de perceber outras questões que podem intensificar o sentimento da dor.

 

O desafio da investigação diagnóstica e do tratamento nos leva a focar a atmosfera na qual o paciente possa estar envolvido, por isso é indispensável a análise sócio-emocional, para constituir parte integrante de qualquer avaliação. É nesse sentido que reconhecemos o papel do fator stress no processo doloroso que pode expandir significativamente para a compreensão da dor crônica. As citocinas que são liberadas no processo inflamatório local atingem o cérebro em poucos minutos e no hipotálamo ativam processos que se associam a percepção da dor, podendo levar o indivíduo a manifestações como: taquicardia, hipertensão, alterações viscerais, cutâneas entre outras.

Unknown.jpeg

 

A continuidade do stress pode causar alterações imunológicas, se estas for prolongadas, provocará também desequilíbrio no tecido muscular, ósseo e neural, como alterações bioquímica, preparando o terreno para o desenvolvimento de fibromialgia, osteoporose e outras condições dolorosas crônicas.

 

Além dos impulsos sensoriais, os fatores psicológicos como ansiedade, perda de calor, hemorragias, infecções, contribuem para resposta de stress. Teoricamente a influência dos fatores psicológicos na origem da dor é intermediada pelo stress. A dor crônica é reconhecida como uma forma importante de stress e um dos seus principais efeitos é a supressão do sistema imune, que pode induzir o organismo atacar o próprio organismo, produzindo doenças auto-imunes, muitas das quais provocam condições dolorosas crônicas.

 

Daí a frase “quando a boca cala, o corpo fala”. Mas não somente o corpo, os nossos sentimentos falam bastante por nós. Muitas vezes os resfriados constantes, a dor na garganta, no estômago, a dor de cabeça, as alergias, as unhas quebradiças, a pressão arterial que sobe, o surgimento de diabetes ou quando o corpo engorda, e até mesmo quando o coração parece querer desistir, e o sentido da vida parece estar ausente. Estes fatores podem estar associados a níveis elevados de stress deixando o nosso sistema imunológico fragilizado, daí a importância do olhar. A observação da carga de stress que acomete o corpo e a mente, este cuidar pode levar a pessoa perceber que se encontra no nível de resistência de stress e buscar um profissional especializado em controle de stress antes que esse chegue a fase mais crítica que é a fase de exaustão.

 

Por mais difícil que possa parecer nós nunca vamos dar conta de tudo, por tanto são sábias as pessoas que enxergam a necessidade de buscar uma ajuda profissional para resgatar a qualidade nas diversas esferas da vida.

 

Fonte: Mecanismos Neuropsicofisiológicos do Stress, Marilda Emanuel Novaes Lipp.

 

Como a procrastinação interfere na vida do ser humano
Por Maria do Carmo S. Ferreira - 
Psicologia Vila Andrade - 02/02/2018

770f4c89a8218c463c09801ecf5e29fa.jpg

Todos nós conhecemos um pouco sobre a síndrome da procrastinação e poucos estamos imunes a ela, mas por que adiamos as decisões? Como controlar essa tendência? Todo ser humano jovem ou velho, gênio ou de inteligência mediana, desempregado ou bem-sucedido profissionalmente pode ser um procrastinador, pois a procrastinação não discrimina ninguém ela afeta pessoas de todas as profissões.

 

Sob constante pressão de provas e outras avaliações, um aluno pode adiar redações e estudos tendo como resultado o acúmulo de tarefas nos dias em que finalmente o tempo já se esgotou. Já num ambiente competitivo de escritórios algumas pessoas diminuem o ritmo de trabalho ao invés de tentarem acompanhá-lo, pode irritar-se pela burocracia e arquivar as coisas como pendentes ao invés terminarem o necessário trabalho duro. Em casa, as possibilidades para procrastinação são intermináveis.

Mas rigorosamente falando, procrastinação é o comportamento de adiar e o que distingue a procrastinação confortável da procrastinação problemática é a intensidade do incômodo que o adiamento causa para o procrastinador. São duas as maneiras pelas quais a procrastinação pode se tornar importante, a primeira é quando o adiamento é levado a consequências extremas que variam desde uma inofensiva multa da biblioteca pela entrega atrasada de um livro ou até a perda do emprego ou o comprometimento do relacionamento. Já a segunda ocorre quando as pessoas que procrastinam passam a sofrer as consequências internas, sentimentos que podem variar de uma leve irritação a uma lamentação até uma intensa autocondenação e desespero.

 

Algumas pessoas não sofrem com a sua procrastinação pelo fato dela estar limitada as ações que tem poucas consequências para elas. Pessoas que precisam ser pontuais em tudo podem não ver nenhum problema em se atrasar para festas e outras atividades sociais, especialmente se sua família e os amigos já se acostumaram a isso. A procrastinação faz parte da vida dessas pessoas em pequenas proporções. Mas em contrapartida, existem pessoas para as quais a procrastinação tem tido consequências significativas e para outras pessoas tem levado não somente ao sofrimento íntimo, mas também ao sofrimento extremo.  

 

O ciclo da procrastinação

 

Muitas pessoas comparam a experiência da procrastinação como brincar numa emocionante montanha russa, seu humor varia a média que tentam progredir e previsivelmente se tornam lentas. Os procrastinadores passam por uma sequência de pensamentos, sentimentos e comportamentos tão comuns que denominamos ciclo da procrastinação, no entanto existem naturalmente variações individuais nessa sequência, que pode se prolongar por um período de semana, meses ou até anos.

 

"Vou começar cedo desta vez"

No início, os procrastinadores são geralmente esperançosos.

 

"Tenho que começar logo"

O tempo para iniciar logo o projeto passou e as ilusões de executar desta vez o projeto estão se desfazendo.

 

"E se eu não começar?"

A medida que o tempo vai passando e o procrastinador ainda não iniciou sua tarefa, passa imaginar nunca poder começar, tem visões horríveis de consequências que arruinariam sua vida.

 

"Eu devia ter começado mais cedo"

Essa conclusão reflete culpa, uma companheira constante da maioria dos procrastinadores.

 

"Estou fazendo tudo, mas..."

É muito comum que os procrastinadores nessa fase trabalhem em tudo, em qualquer coisa exceto no projeto evitado.

 

"Não consigo gostar de nada"

Muitos procrastinadores tentam se distrair com atividades agradáveis de recompensa imediata.

 

"Espero que ninguém descubra"

A medida que o tempo vai passando e nada é feito, alguns procrastinadores começam a se sentir envergonhados.

 

"Ainda dá tempo"

Embora se sentindo culpado, envergonhado ou fraudulento, o procrastinador continua a se agarrar na esperança de que de alguma maneira ainda há tempo para o projeto ser realizado.

 

"Há algo de errado comigo"

Agora o procrastinador está desesperado! As boas intenções para começar cedo não funcionaram, a vergonha, a culpa o sofrimento e a fé na mágica não deram certo.

 

"A escolha final: fazer ou não fazer"

Nesse ponto, o procrastinador decide ir até o amargo fim ou abandonar o navio que afunda.

 

No entanto, vale lembrar ao procrastinador que é possível buscar ajuda e por meio do autoconhecimento trabalhar conteúdos que contribuirão para evitar a formação do ato de procrastinar.

Fonte: Procrastinação (Jane Burka e Lenora Yuen)

Como tornar-se mais feliz e se aborrecer menos
Por Maria do Carmo S. Ferreira – Psicologia Vila Andrade - 19.01.2018

pessoassorrindo.jpg

Você já parou para pensar que na maioria das vezes é você mesmo quem cria suas aflições emocionais? Você pode escolher consciente ou inconscientemente pensar de forma irracional, criar sentimentos negativos, doentios e agir de maneira derrotista.

 

Calma! Você pode optar por mudar sua maneira de pensar, sentir e agir, contudo para que haja qualquer mudança de comportamento é preciso persistência e esforço, como gratificação você irá se tornar menos ansioso, menos deprimido, menos agressivo e menos condoído de si mesmo. Dessa forma sempre que pensar, sentir e agir de forma derrotista conseguirá se tornar menos afetável.

 

Você irá se aborrecer menos e até conseguirá evitar dificuldades emocionais quando estiver prestes a vivenciá-las. Se você estabelecer para si mesmo a meta de tornar-se menos afetável, você terá uma chance maior de atingir essa meta e não trará para si mesmo tantos aborrecimentos. Para tanto é preciso construir sua força de vontade para mudar o próprio comportamento, isto requer determinação e mais conhecimento sobre você mesmo. É preciso estar ciente da possibilidade de mudança, também é preciso considerar escolher, revisar, experimentar e avaliar os métodos que você emprega para mudar.

 

Para seguir a trilha que o tornará menos afetável o melhor é realizar algumas mudanças filosóficas profundas. Às vezes você se acha (ou pensa que é) capaz de administrar a vida pelo pensamento, mas na verdade tais mudanças ocorrem por que você decidiu adotar e seguir as ideias. Para tornar-se uma nova pessoa obrigue-se a procurar novos caminhos. Porém ninguém consegue tornar-se inteiramente imune às aflições emocionais, você como todas as pessoas do mundo possui a forte tendência de se afetar pelos problemas, algo que ocorre com certa frequência.

 

Mas você possui uma capacidade natural de solucionar problemas práticos e emocionais, e de mudar sua maneira de pensar, sentir e agir, quando se comportar de forma inadequada. Você é capaz de realizar tudo isso e tornar-se consideravelmente menos afetável, mas não completamente imune.

 

Mostre a si mesmo que consegue viver um grande desafio e uma aventura real para manter a saúde emocional apesar dos infortúnios. Faça dessa aventura um dos aspectos mais importantes de sua vida e lembre-se, seus pensamentos influenciam os sentimentos, portanto você pode controlar o que sente quando estiver diante de adversidades.

 

Porém se você encontrar resistência interna para este grande desafio, busque ajuda de um profissional este irá ajudá-lo a romper o paradigma que está mantendo as crenças derrotistas e hábitos do passado agora no presente. Como ser humano você nasceu com tendências construtivas, criativas e capacidade para desenvolvê-las e tornar-se uma pessoa mais feliz.

 

Fonte: Como conquistar sua própria Felicidade (Albert Ellis) 

Você não precisa da aprovação deles
Por Maria do Carmo S. Ferreira – Psicologia Vila Andrade - 04.11.2017

ocigty0.jpg

 

Pode ser que você não tenha parado para pensar, mas é possível que gaste grande parte de seus momentos em esforços para obter aprovação dos outros ou preocupando com o fato de ter encontrado desaprovação. Se a aprovação dos outros se tornou uma necessidade em sua vida, você tem uma tarefa a enfrentar! Você pode começar compreendendo que a busca de aprovação é mais um desejo do que uma necessidade.

 

Todos nós apreciamos o aplauso, cumprimentos e elogios. Faz parte receber carícias psicológicas, quem haveria de abrir mão disso? Adulação, de fato constitui um tremendo prazer. Ora, não é preciso abrir mão de si, a aprovação não é uma coisa negativa. A busca de aprovação se transforma em um ponto fraco quando passa ser uma necessidade em vez de um desejo.

Se você deseja aprovação, o fato de receber endosso de outras pessoas o deixará simplesmente feliz, “mas se precisa de aprovação desabará se não conseguir, embora seja altamente preferível que eu me saia bem e conquiste a aprovação dos outros a fim de alcançar as minhas metas, isso não precisa ser assim o tempo todo”. (Como conquistar sua própria felicidade, p. 235)

 

É aí que entram em cena as forças autodestrutivas de maneira semelhante quando a busca se transforma numa necessidade, você entrega parte de si mesmo a outra pessoa. Se os outros o desaprovarem, você fica paralisado (mesmo que seja em grau mínimo), nessa situação você escolheu guardar sua auto estima na manga do casaco, esperando que uma outra pessoa aprove ou não conforme preferir.

 

Você só se sente bem consigo se os outros resolvem dedicar-lhe elogios. Necessitar da aprovação de uma outra pessoa já é bastante ruim, mas o verdadeiro problema começa com a necessidade da aprovação de todo mundo para tudo que é feito. Se você arca com esse tipo de necessidade então está condenado a encontrar grande dose de infortúnio e frustração na vida, além disso estará incorporando uma auto imagem despersonalizada e artificial que resultará em um tipo de auto rejeição.

 

É preciso eliminar a necessidade de aprovação. Trata-se de algo que deve ser erradicado de sua vida para que você atinja a realização pessoal e profissional, tal necessidade constitui um beco sem saída psicológico que não lhe proporciona qualquer beneficio.

É impossível passar pela vida sem incorrer em grandes doses de desaprovação. Assim caminha a humanidade, são impostos que pagamos pelo fato de estarmos vivos, algo que simplesmente não pode ser evitado.

 

Contudo, se você reconhece a necessidade de aprovação pode buscar ajuda de um profissional e se tornar uma pessoa consideravelmente menos afetável, tanto nas demandas pessoais quanto profissionais.

Mudanças
Por Maria do Carmo S. Ferreira – 
Psicologia Vila Andrade - 15.10.2017

As mudanças fazem parte do desenvolvimento de todo ser vivo, e não param ao longo de toda a vida. Há pessoas que acreditam que nunca conseguirão mudar porque "já estão velhas" ou "eu sou assim e está bom para mim".

 

Contudo, modificar o modo de pensar, sentir e agir constitui mudanças na forma de se comportar. Mudar pode ser um ato simples, ainda que seja possível complicá-lo de diversas maneiras. Cada ser é um diamante, contudo, vem em estado bruto e o trabalho de todos nós é descobrir como lapidar esta jóia e somente a mudança nos permitirá passar por este processo. A lapidação é um trabalho que exige sabedoria e paciência, assim como todo e qualquer processo de mudança .

No entanto, mais importante que o desejo de mudar é o comprometimento com a mudança. Ela nos ensina que nada é permanente, nos leva ao crescimento, nos capacita a lidar com as adversidades da vida e nas condutas pessoais. Uma forma eficiente de complicar as mudanças é pensar ou preocupar-se em demasia com o que os outros vão pensar, é preciso confiar mais em si mesmo, destruindo as expectativas que possa ter criado sobre algumas pessoas e sobre e a própria vida.

 

Não é certo mudar e supor que todo mundo se sentirá bem com a nossa mudança, quanto mais você esperar reconhecimento mais sofrerá decepções e mágoas, pois ninguém é obrigado a reconhecer os valores que você acredita possuir, cada um tem a sua verdade, é importante que você carregue a sua sem guerras.

 

Algumas pessoas vão comemorar o nosso bem-estar, mas pode ser que outras se sintam ameaçadas, outra forma de complicar a mudança é achar que ela vai acontecer espontânea e instantaneamente. Para que haja mudança é preciso compromisso, esta é uma atitude de assumir responsabilidade pelas mudanças que se deseja promover.

 

Muitas vezes para mudar é preciso lutar contra nossos hábitos, por exemplo: alguém que costuma explodir, briga com todo mundo que ama e quando] se percebe solitário quer desenvolver amizades, só vai acontecer depois que aprender a mudar o seu hábito de

"explodir" por qualquer coisa. (Shinyashiki, 2012)

 

Nenhum ser humano está imune a mudanças, no entanto algumas mudanças podem ser traumáticas, mas por mais dramática que possa ser às vezes as mudanças são as únicas saídas que possuímos, portanto, a disciplina é fundamental em qualquer processo de mudança.

No momento da mudança pode surgir o medo de não conseguir mudar, de perder as pessoas que lhe são importantes, o medo de repetir as condutas de sempre. No entanto, só podemos saber o resultado se nos disponibilizarmos a mudar pois só por meio da mudança podemos desfrutar do que ainda não experimentamos. Além de desenvolver a saúde emocional, a melhor maneira de promover a mudança é fazer a comparação entre as vantagens e desvantagens na manutenção do comportamento assertivo ou inassertivo, pois sem mudanças permanecemos estacionados.

Ciúmes: causas e consequências nos relacionamentos

Por Maria do Carmo S. Ferreira - Psicologia Vila Andrade - 29.09.2017

images.jpeg

Este artigo não tem a pretensão de esgotar o assunto, já que este é vasto e complexo. O ciúme é um tema que gera muita discussão na sociedade em geral, ele é um sentimento egoísta onde a pessoa que está acometida pelo ciúme é incapaz de obter a atenção da pessoa amada.

 

A saber existem três tipos de ciúmes, o dito normal, neurótico e o delirante (paranóico). É considerado normal aquele que ocorre quando a pessoa amada dá motivo para o parceiro sentir ciúmes, o neurótico é aquele cujo sentimento de angústia é permanente, aqui o ciumento tem consciência que seu ciúme é exagerado mas não consegue controlar. Já o terceiro caso, visto como o mais grave e de maior preocupação, pois o individuo fantasia uma possível traição, podendo ser agressivo e até mesmo cometer qualquer tipo de insanidade contra o parceiro. Quando o ciúme se torna patológico necessita de tratamento psicológico ou psiquiátrico para melhora do quadro apresentado pelo indivíduo.

 

O ciúme acompanha o ser humano por toda a vida, o que muda são as características, seja ciúmes de irmãos, seja ciúmes dos pais, e mais tarde do parceiro, ser ciumento é visto por parte de alguns indivíduos como amor verdadeiro, ou seja uma "prova de amor", um sentimento normal e inseparável para quem ama de verdade afinal "quem ama cuida".

images-1.jpeg

No entanto, alguns autores afirmam que o amor é um sentimento voltado para o outro, em que se quer o bem de quem se ama acima de tudo e o ciúme é uma distorção desse zelo, já que é um sentimento autocentrado, onde impera o medo de perder a exclusividade da pessoa amada (Santos, 2002). Dessa forma o ciúme pode ir desde de se sentir enciumado, o que pode ser visto como normal, até a sua forma mais mórbida onde entraria o quadro da paranóia, sendo um delírio obsessivo e um sofrimento psíquico insuportável para quem sente e de grandes riscos de violência para quem padece sob o ciumento paranóico.

 

Portanto, o ciúme pode variar desde uma aflição causada pelo sentimento de perda, sentimento de rancor pelo concorrente que lhe parece bem sucedido, até a forma onde o indivíduo passa ter a sensação permanente de angústia, instabilidade, insegurança em relação a si mesmo e ao outro, gerando fragilidade da relação afetiva, pois a pessoa passa a manter-se em constante estado de tensão temendo ser traído ou abandonado, por isso tanto o ciúme neurótico quanto o delirante, são tidos como patológicos e prejudiciais para a relação conjugal, provocando mal estar tanto para o indivíduo ciumento quanto para o parceiro que convive com ele.

O grau de ciúme diverge em diversos fatores, tanto no que se refere ao intelectual quanto em sentimentalidade, quando o assunto é ciúme há divergências entre os dois gêneros. Normalmente para o homem é pior se deparar com a infidelidade sexual da parceira do que emocional, já para as mulheres é ao contrário a infidelidade emocional é mais preocupante do que sexual.

 

Geralmente a mulher deseja um envolvimento emocional com compromisso, amor, homens com status financeiro, enquanto os homens têm desejo de variedades sexuais, priorizando a beleza física (corpo atraente) e juventude. Segundo Buss (2000 apud Seo 2005) o sexo feminino é mais voltado a sentimentos de inferioridade, menor desejo sexual e consequentemente medo da infidelidade do parceiro.

 

Uma pessoa com elevado nível de ciúme patológico (psicótico) pode levá-lo a cometer atos de extrema agressividade física. É extremamente importante que quando a pessoa tenha consciência que o nível de ciúmes ultrapassou a barreira do normal, precisa ser avaliado pois na maioria das vezes não basta só a vontade de mudar, dependendo do caso requer ajuda de um profissional que possa avalia-lo de forma imparcial possibilitando à pessoa uma qualidade de vida com maior estabilidade emocional nas relações afetivas.

Por que pensar em assertividade?
Por Maria do Carmo S. Ferreira – Psicologia Vila Andrade - 10.09.2017

images-1.jpeg

Nossa sociedade está passando por transformações em todos os seguimentos como família, trabalho, modo de vida, educação, religião e governo, assim a cada dia se torna imprescindível tornar-se mais assertivo.

 

Boa parte das instituições sociais através das quais as pessoas encontravam segurança no passado não muito distante, já não são seguras ou presente como costumava ser, tanto educação como a sociedade de maneira geral estão experimentando crises profundas e dolorosas, por vezes dramáticas.

 

É indispensável pararmos para refletirmos: como o ser humano se vê como pessoa? O que é consciência? O que significa ter um corpo e relacionar-se de maneira autêntica com ele? O nosso comportamento é regido por tantas leis, regras, dogmas etc. E sendo a sociedade atuante, e decisiva nas atitudes expressadas pelo comportamento humano, por vezes acabam instalando em nós crenças irracionais, do tipo “tenho que ser aprovado em tudo que faço senão estarei arruinado”, ou seja “não posso fracassar jamais”.

 

Por meio desses pensamentos negativos vão surgindo os esquemas de comportamentos e diante de tantas mudanças e questionamentos é indispensável aprender fazer valer os seus direitos.

 

As mudanças fazem parte da vida de todos os seres humanos,  e quando uma pessoa enfrenta resistências em aceitar mudanças  é  importante perguntar-se “por que devo mudar”? Na maioria das vezes as mudanças fazem-se necessárias, algumas pessoas desenvolveram  crenças que não conseguem mudar, ou por que já estão velhas, medo do que as mudanças possam  provocar nas suas vidas, e outras dizem “ eu sou assim e está bom para mim”.

 

Infelizmente estas pessoas não fazem ideia que agindo assim estão se privando e perdendo o verdadeiro sentido de viver, e muitas vezes privando filhos, cônjuges, familiares, amigos e outras pessoas do seu convívio.

 

E como podemos mudar as nossas crenças irracionais, já que elas são um dos fatores mais poderosos do ser humano? Só existe uma maneira: confrontando-as, identificando quais os ganhos que obtém com a manutenção das mesmas, pois elas podem causar prejuízos nas diversas áreas da vida da pessoa.

 

Buscar ajuda com profissional especializado na abordagem Comportamental para obtenção de novos comportamentos e técnicas de restruturação cognitiva visando tornar-se uma pessoa mais assertiva, conhecendo melhor as consequências de alguns comportamentos que lhes causam irritação com certa frequência, fracassos, falta de motivação para viver, dificuldades para desenvolver papéis perante a sociedade, e os resultados desses comportamentos na vida pessoal, profissional e relações afetivas.

 

As consequências do TDAH na vida adulta
Por Maria do Carmo S. Ferreira –
Psicologia Vila Andrade - 14.08.2017

TDHA Adulto.jpg

 

É vasta a literatura sobre Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade, porém o foco está quase sempre voltado para a criança e o adolescente. O TDAH é um distúrbio neurobiológico reconhecido pela Organização Mundial da Saúde (OMS) que pode ser observado desde a infância até a adolescência.

 

No entanto é elevado o número de pessoas que desconhecem que o TDAH pode persistir ainda na vida adulta levando-as por vezes a apresentar comportamentos que contribuem para obter consequências bastante ruins em diversas esferas da vida.

Importante ressaltar que o TDAH não está ligado a fatores culturais ou a desordens psicológicas, mas sim a alterações na região frontal do cérebro que tem como função a inibição do comportamento e controle da atenção.

 

Quanto não tratado de maneira adequada na infância ou adolescência, pode trazer consequências na vida adulta como: instabilidade de humor; dificuldades nas relações interpessoais; sentimento de agitação interna; dificuldades de ficar parado; de esperar a vez; falar demais; distração; dificuldade de concentração; organização; planejamento; de finalizar tarefas e procrastinação. Podem ainda ter problemas no trabalho, quadros de depressão, abuso de substâncias químicas e apresentarem comportamentos de riscos em decorrência das dificuldades desencadeadas pelo Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade.

 

Também é possível observar entre os portadores do TDAH dificuldades no relacionamento entre os casais pela falta de capacidade de prestar atenção, por não ouvir o outro, não lembrar de acontecimentos, datas, não perceber os sentimentos do outro, não lembrar de fazer algumas tarefas de casa entre outras situações que  podem ser interpretadas como falta de afeto, consideração ou falta de amor.

No que se refere ao comportamento feminino uma das principais queixas está relacionada ao comportamento de sonhar acordada, frustração por não conseguir desenvolver seu potencial podendo levar a depressão, além da sensação de está constantemente aprisionada.

Tanto em relação ao homem como a mulher, os sintomas são comuns, porém são poucas as pessoas que levam em consideração a possibilidade de ter como base o TDAH ocasionando muitas dificuldades principalmente no relacionamento do casal podendo levar a separação.

 

Não dá para desconsiderar o impacto que o transtorno pode causar na vida sexual de um casal, apresentando uma hiperssexualidade ou hiposexualidade já que o parceiro portador do TDAH pode apresentar distração durante momentos de intimidades entre o casal por diversas razões como o “tic tac” de um relógio ou compromissos agendados para o dia seguinte. Também pode ocorrer do parceiro ficar extremamente motivado por atividade sexual excessiva.

 

Devido as alterações neuroquímicas podem ocorrer alterações de comportamento, manifestado pelo mau funcionamento de alguns circuitos cerebrais que podem se agravar em situações estressantes, aumentando os sintomas de déficit de atenção, inquietude e comportamento de impulsividade.

 

Contudo, é imprescindível que qualquer pessoa que perceba dificuldades na sua vida diária busque ajuda profissional, pois assim como na infância e adolescência o adulto também irá se beneficiar ao buscar tratamento com equipe multidisciplinar que consiste na combinação medicamentosa e psicoterápica, assim como adequação ambiental e esquemas psicossociais. Estas estratégias ajudarão a melhorar a qualidade de vida nas áreas mais importantes da vida de um ser humano a saber: profissional, acadêmica, saúde, afetivo e social.

A psicoterapia vai proporcionar à pessoa a tornar-se mais assertiva, trabalhar crenças disfuncionais, aprender manejo de controle de stress, trabalhar as emoções, dependências, fortalecer a auto-estima, timidez, melhorar nível de ansiedade para que possa fazer aquisição de comportamento mais assertivo promovendo uma melhor qualidade de vida e concomitantemente uma vida mais feliz.

 

A Família Disfuncional
Fonte: Psicoterapia e Coaching – Psicologia Vila Andrade - 03/07/2017

 

O conceito de família disfuncional foi inicialmente atribuído a famílias onde as relações entre os seus membros não são equilibradas e estáveis e onde os padrões de comunicação alterados conduzem a problemas crônicos no núcleo familiar.

 

Este conceito baseia-se numa abordagem psicoterapêutica de diagnóstico e tratamento, onde os sintomas do indivíduo são vistos no contexto das relações com os outros indivíduos e grupos, e não como problemas individuais.

 

Como uma criança completamente dependente em relação a todas as suas necessidades básicas, poderá se tornar um adulto pleno e confiante, se não recebeu da família, as orientações, cuidados e amor necessários ao seu desenvolvimento? Na família disfuncional, os papéis não são bem definidos.  Os modelos masculino (pai), e feminino (mãe), são insuficientes para remeter valores saudáveis e consistentes à criança.

Família disfuncional.jpg

Como uma criança completamente dependente em relação a todas as suas necessidades básicas, poderá se tornar um adulto pleno e confiante, se não recebeu da família, as orientações, cuidados e amor necessários ao seu desenvolvimento?

Na família disfuncional, os papéis não são bem definidos.  Os modelos masculino (pai), e feminino (mãe), são insuficientes para remeter valores saudáveis e consistentes à criança.

 

Modelos inconsistentes: quando pai ou mãe são negligentes, passam mensagens contraditórias, são autoritários ou omissos, ausentes ou superprotetores, agressivos, ou fazem uso abusivo de substancias químicas. Quando há falta de amor e respeito à criança que é dependente dos pais, e estes sendo seus modelos primários, tendem a passar valores inadequados à criança, impedindo assim, um desenvolvimento emocional saudável, sufocando e determinando segundo estes valores deteriorados o que eles, os pais, consideram ser o melhor para o filho.  Muitas vezes a criança se considera um estorvo e instala-se já neste período um sentimento de culpa e inadequação, como se ela, a criança, fosse também um dos responsáveis pela problemática familiar.

 

Quando adulto esta criança, entre outras dificuldades de comportamento, sentirá uma sensação de vazio interior crônico, e não conseguindo identificar ou entender a sua origem, este vazio virá em forma de ansiedade, angústia e sofrimento psíquico.

Uma família disfuncional é reconhecida quando um ou ambos os pais são mentalmente desequilibrados, frustrados, carecendo de uma visão realista do mundo, com autoimagem distorcida, imaturos, ou ainda, quando um ou ambos os pais são dependentes químicos, ou compulsivos por trabalho, alimentos, compras, afetos, sexo, etc.

 

Nas famílias disfuncionais os filhos crescem tendo raramente aprendido as combinações de papéis que contribuem para moldar personalidades saudáveis, condição que pode ser extrapolada para grupos. Não tendo vivenciado estas combinações satisfatórias de papéis, necessitam criar outros padrões que trazem alguma estabilidade em suas vidas.

 

O Modelo Pernicioso da Família Disfuncional: tanto os modelos positivos ou negativos da família, são aprendidos através da dinâmica no núcleo familiar, iniciado pelos avós, que passam para os pais e estes para os seus filhos, dando origem ao Padrão Trigeracional –  funcionamento de três gerações de uma família, gerando assim, um ciclo pernicioso de padrão comportamental, passado de geração para geração.

As causas dos principais transtornos psicológicos
Por Maria do Carmo S. Ferreira – Psicologia Vila Andrade - 12.06.2017

As causas dos principais transtornos psicológicos.png

Não podemos desconsiderar que o aparecimento de distúrbios reacionais provocam vulnerabilidade, podendo levar uma criança ao fracasso escolar, transtorno do sono, a apresentar humor depressivo, comportamento antissocial como fuga e roubo, entre outros. Os distúrbios reacionais estão relacionados a acontecimentos externos sem os quais provavelmente os distúrbios não seriam desenvolvidos na criança.

 

É compreensível que uma criança que se encontra em constante processo de desenvolvimento e amadurecimento e sofreu qualquer tipo de dano em sua função psíquica vá apresentar algum tipo de dano no seu processo de desenvolvimento até então tido como normal. Na verdade, não podemos de fato ter uma previsibilidade do que poderá ocorrer a uma determinada criança que venha ser alvo de um episódio qualquer que lhe cause uma reação contraria daquilo que é desejado pela mesma.

Tudo isso pode ser gerado por causa do sentimento de abandono, por experiências vividas e fontes de excitação que os psíquicos normais e habituais não conseguem dar conta, acarretando o aparecimento de distúrbios. Daí a importância da anamnese bem realizada quando se tem uma criança em busca de ajuda, o bom prognóstico vai depender desse trabalho minucioso para que os distúrbios possam ser tratados com êxito, buscando assim a solução da questão causadora do transtorno.

 

Os pais são referências importantes para um diagnóstico relativamente preciso, as imposições do ambiente no qual a criança está inserida podem gerar conflitos no seu desenvolvimento, podendo tornar-se bastante exagerados e fixar determinados comportamentos como por exemplo o ato masturbatório. Estes comportamentos podem acarretar um possível problema no desenvolvimento da criança, dependendo de como o meio irá lidar com o comportamento inesperado. Dessa maneira podemos pensar que os "conflitos neuróticos” foram situações que se tornaram internalizados por não terem sido bem resolvidas quando do seu surgimento e no tempo adequado.

 

Assim, o estudo dos distúrbios reacionais devem ser encontrados no par ativo e reativo: família/criança; mãe/criança; professor/criança; sociedade/criança e por diferente ângulos. Desta maneira não podemos deixar de abordar os fatores de risco que podem envolver uma criança durante seu desenvolvimento. Não é necessário efetuarmos levantamento para saber quais são as situações de risco a que uma criança pode estar exposta, mas podemos pensar em todas condições que possam fazer parte da criança ou do seu ambiente, e que podem ser traduzidas em riscos causando sofrimento nas diversas fases da vida do ser humano. Estes fatores atualmente fazem parte de pesquisas epidemiológicas. Fatores de riscos para as crianças são conhecidos como: prematuridade; sofrimento neonatal; separações precoces entre outros. É preciso ainda levar em consideração os fatores de risco aos quais algumas crianças podem estar expostas ao longo do seu desenvolvimento. Estes fatores podem estar inseridos dentro do próprio ambiente, podendo trazer para a criança um risco de morbidade mental, ou seja, propiciar a essa criança alguns transtornos psicológicos. 

 

O tratamento psicológico do stress
Por Maria do Carmo S. Ferreira – Psicologia Vila Andrade - 28.05.2017

 

Stress-management.png

Normalmente as pessoas tendem a não considerar o stress como um problema que afeta a saúde, e geralmente acreditam que da mesma forma que ele surgiu irá desaparecer sem qualquer intervenção. A reação ao stress vai variar de pessoa para pessoa, porém é necessário observar quando o excesso de stress tiver causando danos tanto na vida pessoal como profissional.

 

O stress excessivo pode ser a base patogênica de inúmeras doenças relacionadas à vida moderna, portanto é importante não desconsiderar a reação ao stress que poderá dar origem a muitos males e disfunções tanto física como psicológica. Ele deve ser tratado concomitantemente às doenças patogenicamente ligadas ao excesso de tensão emocional, uma vez que o ser humano necessita aprender a controlar suas tensões a fim de interromper o desgaste do organismo. (Fonte: Mecanismos neuropsicofisiológicos do stress: teoria e aplicações clínicas)

 

Em1956, Selye propôs que o stress se desenvolvia em três fases: alerta, resistência e exaustão.

Contudo no decorrer da padronização do Inventário de Sintomas de Stress para Adulto de Lipp (Lipp, 2000) uma quarta fase foi identificada tanto clínica como estatisticamente, dando origem a fase de “quase-exaustão”. A avaliação possibilita identificar exatamente em que processo de desenvolvimento do stress o paciente se encontra, afim de possibilitar medidas terapêuticas. (Fonte: Mecanismos neuropsicofisiológicos do stress: teoria e aplicações clínicas).

 

Dentro do contexto do tratamento psicológico do stress é importante considerar que ele não é propriamente uma doença a ser tratada, mas sim um facilitador para o desenvolvimento de doenças para os quais o indivíduo seja predisposto. O que deve ser tratado não é a reação natural do stress, necessária ao indivíduo para sua sobrevivência, mas sim a solução que o organismo tem para garantir sua manutenção e equilíbrio.

 

A base para o tratamento de controle do stress é a identificação e modificação das fontes internas de stress por restruturação cognitiva, o tratamento é comportamental focal de duração breve, ocorre em media em quinze sessões, tendo início com uma análise funcional dos estressores externos e internos do paciente. Este tratamento tem por objetivo mudanças de hábitos de vida e de comportamentos potencialmente nocivos, em quatro áreas onde se constituem os pilares do tratamento promovendo mudanças cognitivo-comportamentais que envolvem técnicas de resolução de problemas manejo do tempo, modificação de padrão tipo A de comportamento, controle de hostilidade, treino assertivo, controle de ansiedade e reestruturação - cognitiva, que tem como finalidade mudança no estilo de vida da pessoa, com ênfase na melhoria da qualidade de vida nos quadros: sociais; afetivos; saúde e profissionais.

 

O tratamento psicológico deve ser conduzido por um psicólogo clínico especializado no assunto, que irá avaliar em que fase do stress o paciente se encontra e qual a conduta mais adequada.

 

As ideias irracionais de Albert Ellis
Fonte: A mente é maravilhosa – Psicologia Vila Andrade - 19/05/2017

pensamentos.jpg

Quantas vezes pensar de forma errônea nos levou a situações indesejáveis? O pensamento pode exercer um grande poder sobre nós. Tome a decisão de querer pensar. A decisão final está dentro de nós mesmos. Albert Ellis foi um dos psicólogos fundadores do cognitivismo. Começou a desenvolver sua terapia em 1962, a qual chamou de “Terapia Racional Emotiva” (TRE). Ellis crê que boa parte dos problemas psicológicos se devem a padrões de pensamentos irracionais.

 

Ellis foca sua teoria no fato de que “As pessoas não se alteram pelos acontecimentos, mas sim pelo que pensam sobre tais acontecimentos” como dizia o filósofo estoico grego Epicteto. Assim, podemos dizer que a “TRE” parte da seguinte hipótese Não são os acontecimentos que geram os estados emocionais, mas sim a forma de interpretá-los. Portanto, se formos capazes de mudar nossos esquemas mentais, ou seja, nossos padrões de pensamento, seremos capazes de gerar estados emocionais menos dolorosos, mais positivos e de acordo com a realidade.

 

As ideias irracionais

 

Assim, Ellis enumerou uma série de crenças irracionais e as agrupou em 11 ideias irracionais básicas que podemos resumir assim:

 

1. “Preciso de amor e aprovação de todos os que me cercam” ou “tenho que ser amado e ter a aprovação de todas as pessoas importantes que me cercam”.

2. “Para ser valioso devo conseguir tudo o que me proponho” ou “se eu sou uma pessoa valiosa, tenho que ser sempre competente, suficiente e capaz para conseguir o que me proponho”.

3. “Os maus devem ser castigados por suas más ações”.

4. “É horrível e catastrófico que as coisas não saiam, não sejam ou não aconteçam como eu desejo ou quero”.

5. “As desgraças humanas são originadas por causas externas e eu não posso fazer nada ou quase nada para evitar ou controlar a pena e o sofrimento que me são produzidos”.

6. “Devo pensar constantemente que o pior pode acontecer”.

7. “É mais fácil evitar do que enfrentar as responsabilidades e os problemas da vida”.

8. “É preciso ter alguém mais forte em quem confiar”.

9. “Meu passado é determinante do meu presente e do meu futuro”.

10. “Devo me preocupar constantemente com os problemas dos demais.”

11. “Cada problema tem uma solução determinada, e é catastrófico não encontrá-la”.

 

Estas ideias irracionais fundamentais contêm três noções básicas nas quais os indivíduos fazem petições de caráter absoluto a si mesmo, aos outros e ao mundo.

 

1. Tenho que agir bem e tenho que ganhar a aprovação pela minha forma de agir.

2. Todas as pessoas devem agir de forma agradável, com consideração e justos comigo; se não fizerem isso, são desprezíveis e ruins, e devem ser castigadas.

3. As condições de vida devem ser boas e fáceis para que eu possa conseguir praticamente tudo o que quero sem muito esforço e incômodo.

 

Mas nem tudo é irracional…

 

No outro lado da moeda, no entanto, podemos encontrar as crenças racionais de cada uma das crenças anteriormente apresentadas. As crenças racionais costumam ser mais flexíveis, sem colocar obstáculos em nosso caminho e sem gerar um estresse tão intenso como o das crenças irracionais.

 

Desta vez, para finalizar de uma forma mais prática e dinâmica, proponho que você, leitor, encontre uma crença racional apresentada por Ellis; ou, inclusive, convido-lhe a, quando tiver um tempinho livre, refletir sobre sua própria vida e fazer uma lista de pensamentos irracionais que geram mal-estar e, em outra coluna dessa lista, formas alternativas de pensar. Assim os nós podem começar a se desfazer, abrindo novos caminhos de serenidade.

 

O impacto dos transtornos psíquicos na infância e na aprendizagem

Por Maria do Carmo S. Ferreira – Psicologia Vila Andrade - 15.05.2017

nomes-de-bebes-modernos.jpg

Hoje, vamos abordar as diversas formas de interferência psíquica que podem contribuir para os inúmeros distúrbios de aprendizagem. Nem sempre o distúrbio de aprendizagem está relacionado à metodologia de ensino ou com a maneira como o docente atua didaticamente. Não devemos desconsiderar que os fatores apontados acima também podem contribuir para o surgimento dos distúrbios de aprendizagem. No entanto, há outras variáveis que podem ser determinantes em estágios bem mais precoces, que antecedem o início da escolaridade da criança.

 

Daí percebe-se o quanto é importante o histórico de vida da criança, caso ela chegue a apresentar qualquer tipo de dificuldade que possa interferir em seu processo de aprendizagem. Todos os momentos da infância são fases decisivas, onde são lançadas as características fundamentais da personalidade. Entre os diversos problemas da infância, está a angústia infantil, cujo sintoma mais evidente é o medo (CARDOSO,1969).

 

Ajuriaguerra, Marcelli (1986) tratam da questão da criança em sua família, abordando questões que afetam a criança nas diversas etapas de seu desenvolvimento. Os transtornos na infância estão relacionados com diversas dificuldades apresentadas pela criança, em alguns casos com surgimento bastante precoce e inúmeras causas. Faz-se necessária a busca de fatores que podem levar uma criança a enfrentar dificuldades, mas principalmente identificar estes problemas para ajudá-las na resolução ou ao menos minimizá-los.

 

O que esperar da criança nos primeiros momentos de vida?

 

Quando nasce uma criança, não é possível afirmar de imediato se apresentará qualquer tipo de transtorno que lhe trará dificuldade na aprendizagem, exceto aquelas que mesmo antes do nascimento foram diagnosticadas como portadoras de alguma síndrome. No entanto, por meio de escalas desenvolvidas por estudiosos sobre o assunto, é possível verificar as diferenças existentes entre uma criança e outra.

 

A partir da Escala de Avaliação da Primeira Semana (First Week Evaluation Scale) de uma criança, é possível detectar o estado geral de sua saúde, atenção, funcionamento, adaptação biológica, vigor, calma e desempenho neurológico. Contudo estes fatores não deixam qualquer indício que nos permita afirmar se esta criança apresentará bom ou mau desempenho quando ingressar na escola.

 

No entanto se considerarmos os fatores psíquicos, é possível prever que alguns bebês que passaram por situações de sofrimento como partos difíceis e nascimento prematuro com internações prolongadas possam vir a apresentar algum tipo de desorganização psicológica que no futuro poderão interferir no processo de aprendizagem. A psicanálise tem nos fornecido contribuições em relação ao comportamento humano, principalmente no que se refere às instâncias psíquicas nas primeiras etapas de vida do ser humano.

 

Hoje, por meio da ciência da Psicologia, é possível afirmar que as experiências vivenciadas podem acarretar traumas psíquicos transformando-os posteriormente em distúrbios, devido a desorganização psíquica.

 

 

IMG_1448.JPG

Inteligência Emocional: Use a seu favor!

Fonte: Instituto Brasileiro de Coaching - 30.04.2017

 

No trabalho, assim como nas relações que mantemos em nossa vida privada e social, saber reconhecer e lidar com as emoções e seus (in) ou consequentes comportamentos é um processo contínuo e diferencial. Nesse sentido, ao falarmos em Inteligência Emocional, a evidenciamos como um ponto forte a ser trabalhado, e para muitos especialistas ela é mais importante do que o Quociente de Inteligência, o chamado (QI).

477_grd-696x557.jpg

O que é Inteligência Emocional

 

A Inteligência Emocional (AI) é uma característica mensurável que diferencia o nível de performance, de uma pessoa e um trabalho ou papel, tanto na empresa, quanto na família e sociedade.

 

Os psicólogos americanos Peter Salovey e John Mayer, com suas pesquisas nesse campo da psicologia, ajudaram no desenvolvimento dessa teoria e a definiram como: a capacidade de perceber e exprimir a emoção; assimilá-la ao pensamento; compreender e raciocinar com ela, e saber regulá-la em si próprio e nos outros. Mas foi, o também psicólogo e jornalista americano, Daniel Goleman, na época redator de Ciências do conceituado jornal americano The New York Times, ao lançar o livro “Inteligência Emocional”, em 1995, o primeiro a chamar atenção na mídia para o termo que até então era desconhecido pelo grande público.

 

5 áreas da Inteligência Emocional

 

Segundo Goleman, este tipo de inteligência é a capacidade de identificar os nossos próprios sentimentos e os dos outros, de nos motivarmos, e de gerir bem as emoções dentro de nós e nos nossos relacionamentos. Nesse sentido, a Inteligência Emocional abrange cinco áreas específicas, que dizem respeito ao: Autoconhecimento Emocional, que é a capacidade de reconhecer um sentimento quando ele ocorre; a Habilidade de lidar com seus próprios sentimentos, adequando-os a cada situação; automotivação, que consiste em motivar-se e dirigir as emoções a serviço de um objetivo, mantendo-se focado neste; Reconhecimento das emoções de outras pessoas; e finalmente, nas Habilidades nos relacionamentos interpessoais.

 

O poder das emoções

 

Sempre lidamos com sentimentos distintos em relação aos acontecimentos, e no ambiente corporativo, as respostas a eles são exigidas de forma imediata. De que forma você lida com a autoridade de seu superior? Como recebe ordens e as processa? Como lida com um feedback negativo? Quem é você emocionalmente no trabalho e que tipo de relacionamento interpessoal você mantém com seus colegas?

Se você trava diariamente uma batalha interior com suas emoções, se sofre com reações incompatíveis com o ambiente, sua profissão e vida, como um todo, por certo não deve estar usando seus sentimentos a seu favor. E pior, se suas atitudes fazem de você um profissional limitado, é hora de rever suas posições e começar a trabalhar sua inteligência Emocional.

 

Aprimore sua Inteligência Emocional

 

Existem pessoas que se sobressaem neste campo, e no ambiente de trabalho, exploram a IE com maestria. Estas são hábeis em controlar sentimentos ruins, não os demonstrando; capazes de fazer uma avaliação correta do cenário; são confiantes e focadas nos objetivos, a exemplo de uma promoção; têm consciência de suas capacidades e habilidades e as usam ao seu favor; se adaptam facilmente ao ambiente e as necessidades; são organizadas e comunicativas e também, sabem conduzir relacionamentos de forma empática e harmônica com os colegas e superiores, se destacando entre os demais.

images.jpeg

 

Faça uma autoavaliação

 

Catalisar os sentimentos em atitudes positivas, fazer uma auto-observação para identificar limitações e trabalhar de modo a minimizá-las sucessivamente são prerrogativas para o uso inteligente das emoções. E o gerenciamento delas cabe a você. Somos responsáveis por tudo que nos ocorre, se optamos por trabalhar as emoções transformando-as em atitudes maduras, seguramente oportunizaremos um melhor desempenho, seja na vida profissional ou pessoal. Tudo depende do enfoque, e de como externamos nossos sentimentos, que são raios-X de quem somos, e de como nos habituamos a responder a cada situação.

Colabore com sua carreira, aperfeiçoe suas emoções, invista na sua Inteligência Emocional e potencialize ainda mais o seu sucesso profissional e pessoal.

 

 

Fobia Social ou Transtorno de Ansiedade Social

Por Maria do Carmo S. Ferreira – 10.04.2017

fobia-social.jpg

Dentro dos transtornos ansiosos farei uma breve abordagem sobre a Fobia Social, relacionada a "situações sociais" que apesar de nem sempre mostrar-se de forma explícita causa grandes transtornos na vida social de uma parte considerável da população em diversas faixas etárias.

 

A fobia social se manifesta ao causar reações intensas de ansiedade em diversas situações sociais. Pode ser caracterizada por desencadear um medo acentuado e persistente que leva o indivíduo a comprometer o seu desempenho por sentir vergonha de uma exposição social, podendo leva-lo há um colapso ou seja ficar paralisado por não conseguir dar uma resposta adequada diante de determinadas situações sociais que podem ser comuns para a maioria das pessoas.

 

Comumente envolve situações como atuar e falar em público, o indivíduo não consegue reagir de forma equilibrada e organizada psiquicamente. Normalmente na fobia social há um medo persistente nas situações onde o indivíduo acredita estar sendo observado, avaliado e julgado pelos outros, onde geralmente está presente o medo de comportar-se de maneira que possa ser humilhada ou ficar envergonhada pela exposição àquela situação social.

 

É comum por vezes em qualquer pessoa, surgir formas leves de insegurança em determinadas situações sociais por se encontrar diante do novo, do desconhecido, contudo passado o impacto a pessoa pode organizar-se psicologicamente e se adequar a situação. Já na fobia social o sofrimento psíquico torna-se inevitável pois além das reações de intensa ansiedade pode levar o indivíduo apresentar manifestações autonômicas ao se deparar com situações que desencadeiam a ansiedade levando o mesmo evitar a qualquer custo entrar em contato com a situação.

 

Porém, na maioria das vezes o indivíduo pode reconhecer que o medo é irracional e exacerbado, mas não consegue evitar o comprometimento das atividades sociais ou ocupacionais que podem estar relacionadas a participar de festas; reuniões; ser apresentado a alguém; iniciar ou manter uma conversa; falar com pessoas que estão em situação de autoridade; receber visitas em casa; ser observado durante alguma atividade (comer, beber, falar, escrever, como preencher um cheque por exemplo, usar o telefone, ser objeto de brincadeiras ou gozação, usar banheiro público) entre outros. Além de outros temores como poder vir a vomitar, suar ou enrubescer (ficar vermelho) na frente de outro. Entre as queixas somáticas mais comuns estão as palpitações; tremores; suor; tensão muscular; boca seca; náusea; mal estar no estômago; arrepio de frio e ondas de calor.

 

Importante salientar que as cognições negativas por parte da pessoa fóbica pode levar a um desvio incontrolável no olhar pois utiliza a crença irracional que está encarando os outros e estes poderão ficar assustados ou ofendidos, por vezes uma pessoa com fobia social pode passar a fazer uso constante e inadequado de óculos de sol.

 

Estudos demostram que a fobia social inicia-se na fase intermediária da adolescência a partir de um histórico de inibição social ou timidez na infância, contudo algumas pessoas relatam início em uma fase precoce da infância. Pode surgir abruptamente na vivência de uma situação estressante ou humilhante ou ainda lentamente ao longo do desenvolvimento tornando se mais severa na adolescência ou fase adulta quando esse indivíduo não consegue emitir uma resposta adequado conforme espera a sociedade.

 

Vale lembrar que a fobia social pode ser tratada por meio de acompanhamento médico e psicológico possibilitando ao indivíduo melhorias em sua qualidade de vida e auxiliando-o a enfrentar os desafios que desencadeiam o transtorno fóbico com menos sofrimento no seu dia-a-dia.

Ansiedade

Por Maria do Carmo S. Ferreira – 30.03.2017

 

A ansiedade trata-se de um tema bastante complexo, mas é provável que a maioria das pessoas já tenham experimentado ao menos uma vez na vida uma sensação ruim e desagradável de mal estar, como se tivesse prestes a vivenciar algo muito ruim ou catastrófico. Junto vem o sentimento de medo sem conseguir identificar o motivo e de onde surgiu, principalmente por não saber o que fazer para se livrar daquela sensação desagradável. Muitos de nós podemos nos sentir ansiosos diante de um primeiro encontro, uma entrevista de emprego, diante de um exame de vestibular, situação financeira, até mesmo diante de resultados de exames médicos etc.

 

A ansiedade provoca um sentimento difuso de medo, sentir-se ameaçado sem que se saiba exatamente porque, também não se encontra uma resposta adequada para tamanho sentimento e sofrimento contudo é sabido que uma certa proporção de ansiedade faz parte da natureza humana. Não seria bom uma pessoa não ter ansiedade nenhuma, pois esta poderia ficar isenta da sua própria defesa diante de perigos.

 

No entanto, possuímos um repertório que já nos é familiar em relação ao medo. Por exemplo, se temos medo de altura ao nos aproximarmos de locais acima do que nos permitimos, passamos a evitar alturas que nos coloquem em situação de desconforto. Já um quadro intenso de ansiedade pode nos deixar paralisados sem tomar decisão alguma diante de uma necessidade, quando uma pessoa fica exposta a altos níveis de ansiedade com uma certa frequência pode experimentar elevados níveis de stress. Dessa forma, podemos concluir que tanto a ansiedade como o medo e o stress estão entrelaçados entre si.

 

Porém, podemos distinguir as reações entre medo e ansiedade pois normalmente a sensação de medo pode levar uma pessoa à fuga, enquanto a ansiedade se manifesta por um estado de medo não resolvido. As pressões às quais estamos expostos, bem como os conflitos do cotidiano podem gerar reações ansiogênas assim como expectativas de que algo negativo possa acontecer, estas são caracterizadas como causas de ansiedade. 

 

Freud considerava a ansiedade diferente de outros estados afetivos desagradáveis como raiva, tristeza e o desgosto por causa de uma combinação única de experiências fisiológicas, essas vivências de apreensão, tensão e pavor podem desencadear sintomas como: tremores, palpitações do coração, suor, inquietude, transtornos da respiração entre outros. (Fonte: O stress está dentro de você, pg. 53-54)

 

É importante lembrar que tanto a aquisição ou aprendizagem de ansiedade ocorre no ambiente em que a pessoa se desenvolve assim, pais ansiosos sem querer transmitem sua ansiedade aos filhos. Quando a ansiedade se manifesta de forma exacerbada pode provocar grandes transtornos na vida da pessoa se nada for feito, por isso é importante observar quando ela se manifesta, em qualquer faixa etária, e se está ocupando um espaço maior na vida dessas pessoas. Este será o momento de buscar ajuda médica e psicológica, afim de trabalhar a origem da ansiedade e aprender a lidar com os fatores que a desencadearam.

 

 

Como o stress atua no organismo humano

Por Maria do Carmo S. Ferreira – 20.03.2017

 

Este artigo não tem a pretensão de esgotar o tema já que se trata de um assunto bastante complexo e amplo, mas sim propiciar ao leitor investigar mais sobre o assunto e se beneficiar com o aprendizado.

 

O stress ocupa boa parte da vida do ser humano no seu cotidiano ao longo da vida desde muito precoce. Atualmente não são poucas as crianças que sofrem com os efeitos do stress infantil, pois não são poucas as crianças estressadas. O stress infantil ainda é pouco conhecido, sendo bastante difícil encontrar pesquisas sobre o assunto, tanto no Brasil como no exterior. A maior parte dos trabalhos sobre o stress em crianças brasileiras vem sendo desenvolvido na PUC de Campinas, a partir de 1991. (Fonte: Crianças Estressadas, pg.18, Marilda E. Novaes Lippe).

 

O stress na criança pode ser causado por fontes internas e externas, como fontes externas de stress na infância podemos citar: responsabilidades em excesso; excesso de atividades ("mini-executivo"); brigas ou separação dos pais; algumas escolas; morte na família, principalmente de pais ou irmãos; exigência ou rejeição por parte dos colegas; disciplina confusa por parte do pais, entre outros. Entre as fontes internas de stress na criança temos: ansiedade; depressão; timidez; desejo de agradar; medo do fracasso; dúvidas quanto à própria inteligência, à própria beleza entre outros.

 

Também é comum encontrar pessoas de diferentes áreas profissionais enfrentando momentos difíceis devido ao elevado nível de stress, contudo é importante lembrar que se o stress for compreendido e trabalhado pelo adulto é possível mantê-lo controlado e até certo ponto pode ser positivo, pois fortalece o organismo para trabalhar com situações difíceis da vida no dia-a-dia. Porém, se nada for feito para controlá-lo e se o organismo estiver constantemente exposto ao stress da vida cotidiana poderá desenvolver patologias como: problemas dermatológicos; pressão alta, artrite, doenças respiratórias como asma, problemas cardíacos entre outros.

 

No entanto apesar de experimentar doses elevadas de níveis de stress, infelizmente ainda são poucas as pessoas que reconhecem ou entendem os efeitos e impactos que o stress causa no organismo, porém se for controlado poderá ser utilizado em próprio benefício.

 

O termo stress foi utilizado na área da saúde pela primeira vez em 1926 por Hans Selye, ele mostrou que muitas pessoas sofriam de várias doenças físicas e reclamavam de sintomas em comuns como: falta de apetite; pressão alta; desânimo; fadiga; entre outros. (Fonte: Como enfrentar o stress, pg.18, Marilda E. Novaes Lippe).

 

Quando há um funcionamento cerebral e imunológico integrado e equilibrado este sistema pode funcionar como prevenção de muitas doenças inflamatórias, já quando o organismo está sobre constante desequilíbrio psicológico fica vulnerável a inúmeras enfermidades. Há comunicação entre o sistema nervoso central e o sistema imunológico por isso quando há excesso de stress no organismo humano o sistema imunológico pode ser afetado.

 

Também é importante considerar a influência das cognições na vulnerabilidade ao stress como: pensamento dicotômico, abstração seletiva, pular para conclusões, hipergeneralização, desqualificação do positivo, leitura mental, castrofização entre outros. Daí a importância de se buscar ajuda para entender os mecanismos neuropsicológicos do stress e resgatar o equilíbrio do organismo para melhorar a qualidade de vida, é importante ressaltar que as fontes de stress podem ser externas, mas boa parte do stress que o ser humano enfrenta sofre influência das fontes internas, por isso é fundamental descobrir a causa do problema e buscar meios de enfrentamento não só para o período de stress mas também contra futuras ameaças. (Fonte: O stress está dentro de você, pg. 11, Marilda E. Novaes Lippe).

 

Entender o que o levou a conter os sintomas, identificar seu limite de resistência e aprender lidar com as causas são essenciais no tratamento do stress. Quando uma pessoa se encontra afetado pelo stress é fundamental buscar um médico para tratar os sintomas físicos do e um psicólogo especialista em stress, que irá cuidar da estrutura mental e emocional do paciente.

 

TDAH - Transtorno de Déficit de Atenção/Hiperatividade

Por Maria do Carmo S. Ferreira – 13.03.2017

 

Normalmente quando uma criança ou adolescente se comporta de forma a passar por dificuldades tanto na vida escolar como nas relações intrafamiliares ou nas relações interpessoais tende a causar transtornos de uma forma global. É possível que este indivíduo seja portador do Transtorno de Déficit de Atenção/Hiperatividade, conhecido como hiperatividade. Tanto crianças como os adolescentes afetados pelo problema são popularmente identificados como "bicho carpinteiro". O Transtorno de Déficit de Atenção/Hiperatividade é um problema de saúde mental que apresenta três características básicas: desatenção, agitação (ou hiperatividade) e impulsividade.

 

Quando uma criança ou adolescente é portadora do TDAH, isto tem grande impacto em suas vidas e das pessoas com quem convivem como amigos, pais e professores etc. O TDAH pode levar a dificuldades emocionais de relacionamento familiar e social, bem como baixo rendimento escolar. Algumas vezes pode estar acompanhado de outros problemas de saúde mental.

 

Entre os sintomas que caracterizam o transtorno estão a desatenção, hiperatividade e impulsividade. Estes sintomas fazem parte do grupo de desatenção como: a) não prestar atenção a detalhes ou cometer erros por descuido; b) ter dificuldade para se concentrar nas tarefas e/ou jogos; c) não prestar atenção no que lhe é dito "estar no mundo da lua”; d) ter dificuldades em seguir regras e instruções ou não terminar o que começa; e) ser desorganizado com tarefas e materiais; f) perder coisas importantes; h) distrair-se facilmente; i) esquecer compromissos e tarefas ou ainda apresentar sintomas extremamente ligados a hiperatividade e impulsividade como ficar remexendo as mãos ou os pés quando sentado, não parar sentado por muito tempo, pular ou correr excessivamente em situações inadequadas ou ter sensação interna de inquietude (ter "bicho carpinteiro" por dentro); g) ser muito agitado (a mil por hora), falar demais, ter dificuldade para esperar a vez etc.

 

Esta ainda é uma área crescente de pesquisas, porém existem alguns fatores que levam a um funcionamento alterado das áreas cerebrais envolvidas no TDAH como: hereditariedade, problemas durante a gravidez ou parto; exposição a determinadas substâncias, problemas familiares, alimentação e hormônios.

 

Acredita-se que entre as causas do TDAH estão a vulnerabilidade herdada ao transtorno, que vai se manifestar de acordo com a presença de desencadeadores ambientais. É fundamental frisar que quando não tratado pode associar-se a experiências negativas de ordem social, pessoal familiar e escolar. Daí a importância de quando houver dúvidas em relação a possíveis casos buscar ajuda, pois quando diagnosticado este transtorno exige intervenções múltiplas com neurologistas, psicólogos, psicopedagogos. Dependendo do caso há necessidade de intervenção medicamentosa e em alguns casos orientação psiquiátrica.

 

Amor a dois

Por Maria do Carmo S. Ferreira - 06.03.2017

 

De onde vem o desejo de fazer feliz o outro? Se nos debruçarmos a olhar para dentro de nós mesmos vamos descobrir que o nosso desejo é quase sempre projetado no outro. Daí vem o desejo de amor, é evidente que esse processo de reconhecimento produz intenso prazer pois de repente um ser que esteve sempre sozinho agora vê a possibilidade de um contato real e mais intenso com outro ser humano.

 

Esta sensação de prazer é por vezes tão intensa que para expressa-la é comum expressões como essas: depois de conhece-lo (a) não posso mais viver sem ele(a) ou ela(e) me completa. Contudo quando falamos de amor, na verdade estamos nos referindo a uma infinidade de características que nós percebemos no outro.

 

Porém, às vezes nem mesmo a pessoa pode perceber em si o que o amante percebe nela, o que cria em certas circunstâncias um paradoxo: a pessoa quer ardentemente ser amada mas como tem péssima imagem de si mesma não consegue compreender o que acontece com o outro, fica desconfiada, reticente e até foge de quem lhe está demonstrando amor. Compreender o que acontece consigo mesmo é uma conquista para a qualquer ser humano e isto significa autoconhecimento. Este é um dos papeis da psicoterapia: levar o indivíduo a buscar e a encontrar consigo mesmo.

 

Na maioria das vezes a convivência coloca à prova o amor que surge entre duas pessoas, pois existe uma falsa ideia em que se amando, duas pessoas devem conviver bem o que na prática nem sempre é real, o fato de amarmos uma pessoa não é suficiente para que possamos viver juntos ou conviver.

 

Ao ficar preso à ideia de que o amor por outra pessoa é a receita para viver bem pode-se cometer um equívoco, pois estará formando uma falsa expectativa e quando perceber que terá que enfrentar as dificuldades da vida juntos haverá a frustração. Ao descobrirmos que amamos alguém, significa que nos identificamos com essa pessoa, encontramos nela beleza, harmonia entre outras qualidades. Contudo, para convivermos com alguém precisamos de algo que seja concreto e isto é um aprendizado.

 

Só o amor não nos garante a boa convivência, é indispensável que haja educação afetiva. Ou seja, que possamos conhecer as nossas próprias emoções, que saibamos quais são nossas limitações físicas, intelectuais, afetivas, econômicas, sociais, sexuais. Em resumo, para ter uma boa convivência com o outro é imprescindível saber sobre nós mesmos, do que podemos ou o que estamos dispostos a dar, aprender, amadurecer e ter consciência do outro. Além disso, é importante entender que nunca vamos compreender inteiramente o que se passa dentro de nós e não há nenhuma mágica que faça com que duas pessoas vejam e sintam de maneira idêntica um mesmo acontecimento. Por isso trabalhar as diferenças pode ser o primeiro passo para que duas pessoas possam conviver de maneira harmoniosa e amorosa.

 

O amor para a psicologia comportamental – Reforço Positivo

Por Professor Felipe de Souza - 27.02.2017

 

Como a psicologia comportamental explica o amor? Neste texto, vamos explicar o conceito de reforço positivo através da psicologia comportamental de Skinner e entender a frase “O que é o amor exceto outro nome para o uso do reforçamento positivo?”

 

Olá amigos!

 

Hoje gostaria de conversar com vocês sobre uma frase de B. F. Skinner, na qual ele utiliza um conceito da psicologia comportamental criada por ele para definir o amor. Skinner diz: “O que é o Amor se não outro nome para reforçamento positivo?”

 

Se formos na fonte original, em inglês, no livro Walden Two, leremos: “What is love except another name for the use of positive reinforcement? Or vice versa”. Portanto, uma tradução mais adequada seria: “O que é o amor exceto outro nome para o uso do reforçamento positivo? Ou vice-versa”. A diferença entre a frase que lemos normalmente em português e esta segunda tradução é pequena e sutil, porém, ela será significativa para entendermos melhor a relação entre o amor e o reforçamento positivo. Para fazê-lo, nós temos que começar pelo entendimento do que é reforçamento positivo, para podermos então, compreender o que é o amor para a psicologia comportamental a partir de Skinner.

 

O que é reforçamento positivo?

 

Em 1938, Skinner cunhou o termo condicionamento operante (operant conditioning), que podemos entender como a mudança comportamental de um organismo pelas consequências inseridas após o seu comportamento.

 

Assim, quando vamos estudar a história comportamental de um organismo (não só do homem), podemos avaliar o aumento ou a diminuição de um dado comportamento como consequência do que ocorreu após o comportamento ser emitido. Se após o comportamento ser emitido nós introduzimos um estímulo que fará o comportamento aumentar de frequência, nós temos um reforço. Se nós introduzimos um estímulo que fará o comportamento diminuir, nós temos uma punição.

 

Temos, portanto, 4 tipos de consequências que podem ocorrer após um comportamento e fazê-lo aumentar ou diminuir:

 

1) Reforçamento positivo

2) Reforçamento negativo

3) Punição positiva

4) Punição negativa

 

Para memorizar a distinção entre estes 4 tipos, é simples: Reforçamento é o que faz o comportamento aumentar de frequência (a pessoa ou organismo faz mais) e punição é o que faz com que o comportamento diminua (a pessoa ou organismo faz menos). O positivo ou negativo diz respeito apenas a se há a introdução de um estímulo no meio ou se há a retirada de um estímulo.

 

Por exemplo, quando um pai quer aumentar o comportamento do filho de estudar, pode dar um presente se ele tira um boa nota. O presente provavelmente vai aumentar o comportamento de estudar. Então temos a introdução de um estímulo que fará com que o filho estude mais, ou seja, um reforço positivo.

 

No reforçamento negativo, nós temos o aumento do comportamento com a retirada de um estímulo aversivo. Por exemplo, se eu estou com dor de cabeça (estímulo aversivo), eu posso tomar um remédio para que a dor cesse. Com a retirada da dor, nós temos o provável aumento do comportamento em uma situação futura – o aumento de tomar um remédio para passar a dor de cabeça.

 

No livro Ciência e Comportamento Humano, Skinner explica do seguinte modo:

 

“Os eventos que se verifica serem reforçadores são de dois tipos. Alguns reforços consistem na apresentação de estímulos, no acréscimo de alguma coisa, por exemplo, alimento, água ou contato sexual – à situação. Estes são denominados reforços positivos. Outros consistem na remoção de alguma coisa, por exemplo, de muito barulho, de uma luz muito brilhante, de calor ou de frios extremos ou de um choque elétrico – da situação. Estes se denominam reforços negativos. Em ambos os casos o efeito do reforço é o mesmo: a probabilidade da resposta será aumentada” (SKINNER, 2003, p. 81).

 

Na punição positiva, nós temos a introdução de um estímulo que fará com que o comportamento diminua. É punição porque faz o comportamento diminuir e é positiva porque há a introdução de um estímulo. Se a cada vez que um sujeito disser um cacoete como né, tá ou ok ele receber um tapa na cara, a tendência é que o comportamento de falar o cacoete diminua (punição) com a introdução (positivo) de um estímulo.

 

E, por fim, na punição negativa, nós temos a retirada de um estímulo que faz com que o comportamento diminua em sua frequência. Se o filho tirar uma nota ruim na escola, o pai pode retirar um estímulo como o celular, o que fará com que o comportamento de tirar notas ruins diminua.

 

O amor como uso do reforçamento positivo

 

Sabemos como é difícil definir o amor. Se formos estudar historicamente, veremos tentativas de definição já no Banquete, de Platão. Este, aliás, seria um excelente livro para começarmos a estudar os diversos tipos de amor. O amor romântico, idealizado, o amor erótico, sexual, o amor entre amigos. Mas passando da filosofia grega para a psicologia comportamental, nós podemos dizer que o amor acontece e permanece como resultado do uso do reforçamento positivo.

 

Para começarmos a análise da frase de Skinner “O que é o amor exceto outro nome para o uso do reforçamento positivo? Ou vice-versa” e, tendo em vista o que aprendemos no tópico acima, vamos utilizar alguns exemplos.

 

Qualquer observador atento, verá que uma criança pequena, de 4, 5 anos é bastante interesseira. Como o mundo ainda “gira ao redor do seu umbigo”, ela avalia quem ela gosta mais pelo que ela recebe. Se perguntarmos se ela gosta mais da avó materna ou avó paterna, ela poderá dizer: “Gosto mais da minha avó paterna porque ela me dá mais presentes”. E é até interessante notar como muitos adultos continuam mantendo este padrão egoísta. De toda forma, na formulação de Skinner, nós temos que o amor faz uso do reforço positivo. E esta é uma afirmação simples de entender e simples de observar:

 

Quando um casal está começando um relacionamento, tudo o que há, praticamente, é reforço positivo. Eles se dão presentes, elogios, carícias. Trocam todo tipo de contatos que são prazersos. E quando começa uma briga?

 

Uma briga começa quando não há o reforço positivo, seja quando há uma punição positiva (a introdução de um estímulo aversivo) ou a punição negativa (a retirada de um estímulo agradável). Por exemplo, quando há uma crítica (punição positiva) ao invés do elogio (reforço positivo), quando não há resposta no whatsapp (punição negativa) ao invés da resposta imediata (reforço positivo).

 

Eu peguei o exemplo de um começo de um relacionamento porque fica mais claro que quase tudo gira em volta do reforçamento positivo. Além dos comportamentos observáveis, temos que levar em conta o que a neurociência vem descrevendo sobre as substâncias do amor. Quando uma pessoa se apaixona, há a liberação de “substâncias do amor”, que, é claro, vão influenciar também o comportamento.

Dentro dos transtornos ansiosos farei uma breve abordagem sobre a Fobia Social, relacionada a "situações sociais" que apesar de nem sempre mostrar-se de forma explícita causa grandes transtornos na vida social de uma parte considerável da população em diversas faixas etárias.

 

A fobia social se manifesta ao causar reações intensas de ansiedade em diversas situações sociais. Pode ser caracterizada por desencadear um medo acentuado e persistente que leva o indivíduo a comprometer o seu desempenho por sentir vergonha de uma exposição social, podendo leva-lo há um colapso ou seja ficar paralisado por não conseguir dar uma resposta adequada diante de determinadas situações sociais que podem ser comuns para a maioria das pessoas.

 

Comumente envolve situações como atuar e falar em público, o indivíduo não consegue reagir de forma equilibrada e organizada psiquicamente. Normalmente na fobia social há um medo persistente nas situações onde o indivíduo acredita estar sendo observado, avaliado e julgado pelos outros, onde geralmente está presente o medo de comportar-se de maneira que possa ser humilhada ou ficar envergonhada pela exposição àquela situação social.

 

É comum por vezes em qualquer pessoa, surgir formas leves de insegurança em determinadas situações sociais por se encontrar diante do novo, do desconhecido, contudo passado o impacto a pessoa pode organizar-se psicologicamente e se adequar a situação. Já na fobia social o sofrimento psíquico torna-se inevitável pois além das reações de intensa ansiedade pode levar o indivíduo apresentar manifestações autonômicas ao se deparar com situações que desencadeiam a ansiedade levando o mesmo evitar a qualquer custo entrar em contato com a situação.

 

Porém, na maioria das vezes o indivíduo pode reconhecer que o medo é irracional e exacerbado, mas não consegue evitar o comprometimento das atividades sociais ou ocupacionais que podem estar relacionadas a participar de festas; reuniões; ser apresentado a alguém; iniciar ou manter uma conversa; falar com pessoas que estão em situação de autoridade; receber visitas em casa; ser observado durante alguma atividade (comer, beber, falar, escrever, como preencher um cheque por exemplo, usar o telefone, ser objeto de brincadeiras ou gozação, usar banheiro público) entre outros. Além de outros temores como poder vir a vomitar, suar ou enrubescer (ficar vermelho) na frente de outro. Entre as queixas somáticas mais comuns estão as palpitações; tremores; suor; tensão muscular; boca seca; náusea; mal estar no estômago; arrepio de frio e ondas de calor.

 

Importante salientar que as cognições negativas por parte da pessoa fóbica pode levar a um desvio incontrolável no olhar pois utiliza a crença irracional que está encarando os outros e estes poderão ficar assustados ou ofendidos, por vezes uma pessoa com fobia social pode passar a fazer uso constante e inadequado de óculos de sol.

 

Estudos demostram que a fobia social inicia-se na fase intermediária da adolescência a partir de um histórico de inibição social ou timidez na infância, contudo algumas pessoas relatam início em uma fase precoce da infância. Pode surgir abruptamente na vivência de uma situação estressante ou humilhante ou ainda lentamente ao longo do desenvolvimento tornando se mais severa na adolescência ou fase adulta quando esse indivíduo não consegue emitir uma resposta adequado conforme espera a sociedade.

 

Vale lembrar que a fobia social pode ser tratada por meio de acompanhamento médico e psicológico possibilitando ao indivíduo melhorias em sua qualidade de vida e auxiliando-o a enfrentar os desafios que desencadeiam o transtorno fóbico com menos sofrimento no seu dia-a-dia.